O Meu Pé de Laranja Lima

Autor : Lendo o Dia | Data : sexta-feira, março 24, 2017 | Assunto :

Infantojuvenil. Um livro que despedaça o coração.
Ficha Técnica:
Título: O Meu Pé de Laranja Lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Páginas: 195 | Ano Publicação: 1968
Editora: Melhoramentos

Sinopse:

Na obra juvenil mais conhecida de José Mauro, a pobreza, a solidão e o desajuste social vistos pelos olhos ingênuos de uma criança de seis anos. Nascido em uma família pobre e numerosa, Zezé é um menino especial, que envolve o leitor ao revelar seus sonhos e desejos, por meio de conversas com o seu pé de laranja lima, encontrando na fantasia a alegria de viver.

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"O Meu Pé de Laranja Lima" é um livro juvenil escrito pelo carioca José Mauro de Vasconcelos nos idos de 1968. Dizem as boas línguas que este autor, junto com Jorge Amado e Érico Veríssimo, forma "o trio exclusivo de escritores brasileiros que podem viver somente com os direitos autorais de seus livros"... Coisa básica, não?

O fato é que este seu livreto já foi publicado em 19 países, adaptado para cinema e novela e feito em quadrinhos, na Coreia do Sul, em 2003. E essa fama não se dá à toa não... A obra conquistou leitores por todo o Brasil (inclusive o core desta que vos fala), quebrando todos os recordes de venda... haha

Até a crítica se derramou em elogios, vejam vocês. Disseram coisas do tipo:
"Qualquer pessoa de sensibilidade que leia esse livro de José Mauro se projeta na figurinha de Zezé..." - Ivo Borges Botelho; e: "'O Meu Pé de Laranja Lima' é um documentário social e um estudo psicológico que soa como uma canção, onde há intensa realidade e, por isso mesmo, ternura e amor." - Euclides Marques Andrade.

Aí vocês me perguntam: "Adna Maria, mas do que se trata o livro?"
Respondo.

"O Meu Pé de Laranja Lima" conta a história de Zezé, um menino de cinco anos de idade, que nasceu numa família bastante pobre e numerosa. Seu pai estava desempregado e sua mãe trabalhava numa Fábrica que, aos olhos do menino, "era um dragão que todo dia comia gente e de noite vomitava o pessoal muito cansado." (nota-se que eles não era lá muito fã do "monstro" da indústria, né?).

Pois então, Zezé e sua família moravam em Bangu-RJ, na primeira metade dos anos 1900. Tinha só cinco aninhos, mas era um garoto precoce que aprendeu a ler sozinho. Inteligente, sensível, trabalhador e bastante traquinas, Zezé vivia apanhando dos irmãos mais velhos e dos pais, por ter o tal do "diabo no corpo". Apesar de tudo, era um menino de ouro, do tipo que não passava muito tempo amargurando raivas... Num dia, ele jura que quando crescer vai matar o Portuga (dono do "carrão" da região)... no dia seguinte, o Portuga vira a melhor pessoa do mundo pra ele; Em determinado momento, ele prefere morrer a decepcionar uma pessoa que ama, outras vezes sente como se sua alma tivesse saído por um ferimento do pé.
Assim era Zezé... Itenso.

Questionador, ele se perguntava o tempo todo por que Papai Noel não lhe dava presentes no dia de Natal. Primeiro acreditava que o menino Jesus não lhe nascia por causa do demoniozinho de que sua família sempre falava:
"É o diabo que nasce pra mim no dia de natal e eu não ganho nada."
Depois é convencido pelo irmão de que o menino Jesus não gostava de gente pobre:
"... Por que o menino Jesus não é bom pra gente? Vai na casa do Dr. Faulhaber e veja o tamanho da mesa cheia de coisas [...] Eu acho que o menino Jesus só quis nascer pobre para se mostrar. Depois ele viu que só os ricos é que prestavam..."
E o mais interessante de tudo é que, apesar de toda a pobreza, ele sonhava... Sonhava que um dia sua vida seria melhor... E não perdia o imaginário infantil: levava seu irmão mais novo para o quintal de casa e fingia que estavam em um zoológico; montava em seu amigo, um pequeno Pé de Laranja Lima, a quem contava todos os seus segredos, e imaginava estar cavalgando em aventuras infinitas...

Sobre minhas impressões...

Só sei dizer que esse livro arrebentou meu coração de emoção. Muitas lágrimas rolaram do lado de cá ao imagianr que existam tantos Zezés mundo afora... Crianças que, além de pobres, sofrem maus tratos por parte de pessoas que deviam lhes proteger, e não podem fazer nada a não ser questionar o seu "menino Jesus" particular.
A forma como essa história é narrada é tão tocante, que não tem como você não se emocionar, não tem como não se apaixonar por Zezé e não tem como não querer sair acolhendo criancinhas por aí, apenas para tentar compensá-las por todo o mal que um dia lhes tenha sido feito.
Está recomendadíssimo.

Até a próxima, pessoal!

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